PANTERA NEGRA - PRANTO DE UMA NAÇÃO CONDENADA

PANTERA NEGRA - PRANTO DE UMA NAÇÃO CONDENADA

Nesse arco em 4 partes escrito por Peter Gillis e desenhada por Denys Cowan, vemos o Pantera Negra em uma faceta diferente do que vimos hoje, mais inserido com problemas locais de seu continente do que com tramas envolvendo super-heróis. A história começa com T’Challa envolvido em uma caçada a duas panteras, quando percebe que sua própria força começa a decair. Mesmo enfraquecido, o regente de Wakanda consegue derrotar as feras, que são levadas à uma reserva animal. Ao mesmo tempo em que T’Challa pergunta-se porque está perdendo sua ligação espiritual com o Deus Pantera, vemos um violento interrogatório no país vizinho, onde um prisioneiro transforma-se num imenso hibrido de homem/felino e dilacera seus captores. O que se segue é um interessante saga em que T’Challa precisa novamente se provar digno do nome de Pantera Negra, protegendo sua nação e povos aliado contra regimes racistas.

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A história foi publicada em 1988 e faz referência ao regime do Apartheid (1948 à 1994), trocando a África do Sul pelo fictício país de Azânia. Pela proximidade com Wakanda, vemos a mídia africana pedir um posicionamento do Pantera Negra em relação aos acontecimento das nações vizinhas, mas T’Challa entra em conflito quanto a defender os ideais que acredita, mas sem envolver seu povo em um conflito externo. As decisões dele e o fato de uma criatura com aparência similar a do Pantera Negra começar a matar simpatizantes do Apartheid, empurram Wakanda para uma guerra contra a superequipe chamada de Supremacistas, que é apenas o inicio de um ataque muito mais devastador contra todos os que acreditam na igualdade racial. Mas com a perda de poderes, nosso herói também precisa vencer seus próprios demônios afim de novamente representar o líder que sua nação respeita. A relação de T'Challa com políticos e sacerdotes de seu país é muito bem mostrada aqui, mesmo Wakanda sendo socialmente evoluída, vemos que como em qualquer país há sempre pessoas que trabalham mais em benefício próprio do que no bem comum.

Vale citar que esse pequeno arco pode ser lido de forma independente de qualquer outra publicação da Marvel, pois não faz menção à nenhum outro super herói ou acontecimento fantástico. Embora seja uma história pouco citada atualmente, serve para conhecermos o cerne do personagem dentro de sua origem ancestral, pois além de se provar como monarca o Pantera Negra também serve como líder espiritual de sua nação, representando e sempre provando-se digno das habilidades concedidas pelo Deus Pantera.

 

No Brasil, esse arco foi publicado em 1990 como uma mini série em 2 partes, pela Editora Globo. Se a Panini não republicar ou não acharem em sebos, poder ler a história neste link.


18/08/2016
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.