A estreia sangrenta de Nighthawk

A estreia sangrenta de Nighthawk

Nighthawk é literalmente o Batman da Marvel. Membro do Esquadrão Supremo, grupo de super-heróis análogo à Liga da Justiça, Kyle Richmond é um afro-americano milionário cujos pais foram brutalmente assassinados por supremacistas brancos; após a tragédia, ele assume a alcunha de Nighthawk e se dedica a caçar, brutalizar e matar racistas da pior estirpe. Este é o seu primeiro gibi solo, uma estreia realmente violenta.

Antes de falar do gibi em si, vamos tentar explicar rapidamente o contexto, além de buscar resumir o que é o Esquadrão Supremo e quem é o homem chamado Kyle Richmond.


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O Esquadrão Supremo foi criado nos anos 70 como uma espécie de paródia/homenagem da Marvel ao grupo de heróis mais famosos da DC, a Liga da Justiça; desde então, houve algumas versões alternativas do Esquadrão, bem como de Nighthawk; a versão afro-americana de Kyle Richmond só foi surgir em 2003, no gibi Supreme Power #1. Sua origem é espelho da origem clássica do Batman - pais milionários assassinados; no entanto, por serem negros, foram assassinados por racistas declarados, e Kyle Richmond cresceu com ódio e ressentimento tamanhos que se tornou Nighthawk para caçar e matar supremacistas brancos e todos os que visam a vida dos afro-americanos.


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Por sinal, um dos seus maiores inimigos era o Whiteface, um cretino com pintura de palhaço que pode ser melhor descrito como um Coringa neonazista.


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Kyle Richmond viveu inúmeras aventuras com o Esquadrão Supremo, as quais contaremos outro dia, já que esta é a resenha do seu primeiro gibi solo, que saiu este ano. Mas é preciso dizer que o seu Esquadrão Supremo foi exterminado durante aquela confusão medonha chamada Secret Wars, nas quais todas as realidades foram destruídas, inclusive o universo principal 616. No entanto, quando o universo foi reconstruído, descobrimos que Kyle Richmond de alguma forma sobreviveu à destruição do seu mundo natal, e então criou uma nova versão do Esquadrão Supremo, composta por últimos sobreviventes de suas respectivas realidades e dispostos a tudo para proteger este novo universo principal Marvel, por todos os meios necessários. É neste grupo que o afro-americano Kyle Richmond faz parte hoje.


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Agora, vamos finalmente ao gibi!

Roteirizado pelo afro-americano David F. Walker - que assina Power Man and Iron Fist (Marvel), Cyborg (DC), Shaft, vários outros gibis autorais e livros - Nighthawk #1 nos apresenta um homem amargo e brutal cujo foco único e exclusivo é o extermínio de todos os seus inimigos racistas. A capa do gibi possui uma beleza perversa, com o nosso herói em pé no beco perante corpos, banhado de chuva e do sangue de seus oponentes - o logo amarelo contrasta bem com o tom sinistro da cena. O gibi como um todo nos entrega esse tom sinistro, no qual o vigilante solitário estraçalha os responsáveis por crimes raciais, assassinando-os com muito ódio, ao mesmo tempo em que é atormentado pelas mortes que causa, ao mesmo tempo em que se lembra de quando a sua mãe lhe pedia para que não se tornasse um homem violento, guiado pela raiva e pelo desejo de matar.


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E, ao mesmo tempo de tudo isso, ele ainda tem de conciliar com a sua vida civil de Kyle Richmond, o homem negro milionário que vem ganhando notoriedade sob o nome de Raymond Kane e que vem comprando corporações para aumentar ainda mais a sua influência e vigilância no mundo; aqui neste gibi, Kane vive e atua diretamente numa cidade de Chicago entregue à violência e à tensão racial - tensão pautada na situação real de policiais assassinando jovens negros. Dessa forma, como homem de negócios, Raymond Kane vem usando sua influência e dinheiro para revitalizar a vizinhança despedaçada por conflitos raciais e brutalidade policial.


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Também somos apresentados à Tilda Johnson, uma ex-vilã dos velhos tempos, lá dos anos 70, agora reformada e trabalhando para Nighthawk como mecanicista e monitora de suas missões, e também como voz da razão quando acha que o herói está indo longe demais - e ele realmente vai além do além na sua vingança. E também somos apresentados ao Revelator, um homem sinistro e misterioso que servirá como antagonista principal deste primeiro arco e que me lembrou de cara uma versão ainda mais macabra do Coringa.


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Nighthawk #1 nos entrega uma estreia bem sólida e cheia de potencial, ainda que recheada de uma violência que pode incomodar alguns. Kyle Richmond é apresentado como um homem sedento de vingança e a um passo da loucura, que luta para manter alguma sanidade enquanto é atormentado pelo peso das vidas que ceifa, atormentado pelo ódio e pelo amargor causados por essa doença social inaceitável chamada racismo.


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Eu gostei deste gibi e recomendo!

Nota: 7,5/10




06/10/2016
Fábio Kabral

Fábio Kabral

Redator

Escritor caótico e menino do rio que vai conquistar o mundo com uma flecha só.