ADAM - A LENDA DO MARVEL AZUL

ADAM - A LENDA DO MARVEL AZUL

As grandes editoras de quadrinhos são carentes de representatividade pra todas as "minorias" e recentemente há um movimento sistemático para mudar isso. Um personagem pouco comentado dessa cena é o Marvel Azul, criado por uma série de retcons e licenças poéticas históricas, e que no cerne seria o herói mais poderoso da

Terra caso não tivesse sido apagado por seu governo. A mini série em 5 partes Adam - A Lenda do Marvel Azulconta a origem desse herói criado por Kevin Grevioux conhecido roteirista e diretor do underground americano, que talvez alguns de vocês lembrem por fazer um lobisomen badass na franquia Underworld.

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Estamos na América dos anos 60, em que as lutas por direitos civis cresciam a todo vapor e ser negro nas terras do Tio Sam era bem mais tenso que hoje. Não frequentávamos as mesmas escolas que os brancos, nem usávamos os mesmos espaços públicos ou bebedouros, grupos racistas como a Ku Klux Klan viviam o seu auge. Nesse cenário atuava Adam Brashear, o Marvel Azul, um herói que era adorado pelo público mas que assim que foi descoberto ser negro, gerou desconfiança: os brancos o temiam ou odiavam, os negros o amavam ou queriam que exterminasse todas as outras raças.

O governo americano não sabia como lidar com isso. O que um negro superpoderoso poderia significar para o momento que aquela sociedade vivia ? O roteiro deixa óbvio que os políticos não queria ver um homem de cor superpoderoso voando por aí, utilizando o poder de um Deus e podendo julgar e punir seus atos quando fosse necessário.

 

Em uma decisão lastimável o presidente dos EUA solicita que o herói ( que era veterano da guerra da Coréia) encerre suas atividades, para não incitar comportamentos agressivos de nenhum dos grupos étnicos dominantes. A estratégia foi tão nefanda que até foi pensado na forma de fazer Adam ficar mais preso a atividades corriqueiras e não ter uma recaída ao super-heroísmo: lhe deram uma família. Não vou falar pra não entregar a história inteira no review, mas a forma que o roteirista fez apesar de ser um clichê, foi gancho para mostrar muitas situações cotidianas sobre como as relações entre raças eram complicadas.


A mini série se inicia e se conclui devido aos Vingadores (fase em que tinham na formação Hades e Sentinela) não conseguirem derrotar o vilão Anti-Homem , e descobrem que o único que sabe como detê-lo é o Marvel Azul. Tratado como segredo de Estado, Tony Stark demora para descobrir o paradeiro de Adam, hoje um pai de família e professor universitário. Descobrimos como o herói obteve seus poderes e o fato do vilão ter a mesma origem, mas estar do lado negativo de sua essência. Esta fase contemporânea da história e a batalha final talvez sejam a parte mais fraca da HQ, pois tem algumas soluções apressadas para que o personagem volte à ativa, e tome retcons dele interagindo com outros personagens da Marvel para decidir sobre sua aposentadoria.

No todo a saga é muito boa principalmente por mostrar a questão racial que permeava os EUA dos anos 60. O negativo são trechos na era atual, a arte é tão irregular em algumas partes que na última edição o desenhista esqueceu que Adam e sua esposa eram idosos e o fez com rostos e corpos de pouco mais de 20 anos. Também anotei muitas falhas na narrativa, mas que não atrapalham o entendimento da história.


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Atualmente o personagem faz parte dos Ultimates, equipe composta por Pantera Negra, Capitã Marvel, America Chavez e Mônica Rambeau. A personagem dele está bem parecida com sua saga de origem, e até achei acertado o retratarem como um super-cientista do que como Superman genérico e de capacete...este que era exatamente igual ao do Sr Destino, também da DC. E sim, se quiser saber mais sobre esta equipe, comentamos sua primeira história aqui.


14/10/2016
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.