LUKE CAGE NOIR

LUKE CAGE NOIR

Ao pegar essa mini pra ler fiquei pensando de que forma encaixariam Luke Cage, o Poderoso, no ambiente noir, afinal é um gênero detetivesco onde nunca vi produções com negros, sejam filmes ou livros. Então imagina a felicidade em descobrir nessa obra subestimada um roteiro digno de um longa metragem policial muito bom, muito bem ambientado e desenhado.

A trama se passa no Harlem da década de 30 durante a famosa lei seca, onde gangsters faziam a vida traficando bebida para os EUA. Era um negócio que interessava a todas as cores, tinha bandido branco, oriental e negro querendo uma fatia desse mercado. Claro que nessa treta aguem sempre se feria. E nessa treta estava Luke Cage, negrão recém saído da prisão onde foi preso por defender alguém do seu bairro, ganhando fama de “à prova de balas”. Ele é contratado por um figurão caucasiano para desvendar o assassinato da esposa, encontrada morta em uma das esquinas do bairro. Era um crime estranho já que o casal era famoso por sua filantropia, mas ao ver o corpo da garota no necrotério ficou claro que o crime era bem mais complicado do que parecia. A investigação fez Cage reencontrar amigos e inimigos das antigas, um antigo amor, e até uma redenção que talvez nem precisava. E tudo num clima soturno bem ao estilo da saga Alias, de Brian Michael Bendis, autor que contribui com a volta do personagem aos holofotes, amparado na pegada mais ‘hip hop’ da mini Cage escrita por Brian Azzarello.

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Esse foi o primeiro título que li dessa série Noir da Marvel, e fiquei impressionado em como traduziram bem o personagem pra um tipo de narrativa inédita para ele. O cara se tornou um detetive brucutu das antigas, mantendo as características de personalidade que conhecemos hoje em um período bem complicado para os negros, onde a segregação era absurda e o racismo era praticamente permitido pela lei americana. A forma como o negro vivia nos subúrbios de Nova York está muito bem traduzida pela narração em off (característica do gênero Noir) de Cage, que situa o leitor naquele bairro que brancos queriam ignorar mas ao mesmo tempo iam lá para se divertir ou lucrar com o sofrimento alheio. Vilões clássicos do personagem se encaixaram perfeitamente bem, pois infelizmente muita coisa ainda lembra o pior da sociedade em certas regiões americanas.

Acho que o único ponto negativo que vi no gibi foi o final que não dá brechas a continuações. Ou dá, pois de lendas urbanas 'explicadas' até que a revista foi bem servida.

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Luke Cage Noir é escrita por Mike Benson e Adam Glass, com arte de Shawn Martinbrough. Originalmente saiu nos EUA em 2009, e foi lançada aqui pela Panini Comics em 2013. Corre atrás que merece sua estante!


14/10/2016
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.