Batwing, o super-herói africano da DC

Batwing, o super-herói africano da DC

A DC não é conhecida por dar muito destaque à personagens negros, fato. Do relativo sucesso do Raio Negro no fim dos anos 70, até o hype que tiveram Super Choque e Lanterna Verde (John Stewart) por causa de suas aparições em desenhos animados no fim dos anos 90, pouco esforço foi visto pela editora em trabalhar com heróis de rosto africano, principalmente se pensarmos nos títulos da linha de frente. Batwing é quase uma exceção. Perdido entre muitos títulos ruins da reformulação chamada Novos 52, o herói teve uma revista bem bacana que durou 34 números, lançada entre 2011 e 2014. Se nunca ouviram falar ou só viram de relance e não foram atrás, vou trazer-lhes uma porrada de motivos nesse texto.

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David Zavimbe é um cara de passado sombrio, mas grande senso de justiça. Retirado de um orfanato, tornou-se uma criança soldado que seguia ordens de General Keita, um sanguinário militar que como muitos, queria um pedaço do que se tornaria a Republica Democrática do Congo. Quando a matança em nome desse líder chegou em uma linha difícil de passar (sem spoiler dessa vez), David resolveu abandonar a milícia e nunca mais tirar uma vida humana. Mas o senso de justiça e a necessidade de expiação ainda estavam lá, que o fez tornar-se  um dos poucos policiais honestos da cidade de Tinasha, que por não conseguir imprimir a lei por meios tradicionais, torna-se um temido vigilante noturno, que com poucos recursos tecnológicos aos poucos consegue minar a atividade criminosa da cidade. Porém mal sabia que sua fama já havia atravessado o continente, e com o auxílio de um "patrocinador" (Bruce Wayne) criou a identidade de Batwing, o primeiro grande herói da África. Será? 

 

Se alguém acompanhou algo do Batman escrito por Grant Morrison, sabe que em dado momento do run o personagem fez uma pequena tour pelo planeta afim de localizar outros combatentes do crime urbano, que com a grana de Wayne teriam mais recursos pra derrotar a marginália. David Zavimbe é o representante africano dessa iniciativa, que pra mim passaria batido se não fosse o excelente roteiro de Judd Winick, que criou uma mitologia própria para o personagem, tornando o passado do Batwing até mais interessante que o do herói que o inspirou. O primeiro arco mostra o fim do supergrupo conhecido como O Reino, os maiores heróis da África, ninguém sabe por que desapareceram mas estão intimamente ligados ao atual estado político do Congo. Um à um eles começam a morrer, e cabe a Batwing capturar o assassino desses heróis, que se no início eram uma fonte de inspiração para David, a cada página esse referencial vai tomando outro viés.


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Na edição 19, David abandona o manto de Batwing! Não, também não darei spoilers pra  vocês, mas daqui em diante infelizmente paramos de acompanhar as aventuras do "Batman da África" e conhecemos um novo alter-ego, Lucas Fox, que além de excelente artista marcial também possui QI altíssimo. Servindo no Afeganistão, é descoberto que 'Luke' foi uma das primeiras escolhas de Batman para vestir o manto de Batwing, mas devido questões familiares (Lucas é filho de Lucius Fox, um dos aliados mais antigos de Wayne), acabou entregando seu apoio a David. Apesar das histórias começarem no continente negro, logo as atenções voltam para a América, e vemos que Lucas tem conflitos internos bem diferentes do seu antecessor.

 

Apesar de ter tido vida curta com um título solo, gostei bastantedo que fizeram com o Batwing por essas 34 edições solo. Começou como subproduto do Batman, mas poderia facilmente sobreviver com sua própria mitologia. E pra variar a DC Comics fez outra reformulação em 2016, sendo a volta desse personagem uma incógnita.


14/10/2016
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.