As loucas aventuras do Pantera Negra

As loucas aventuras do Pantera Negra

Sabe aquele personagem soturno, estrategista e imponente que vocês aprenderam a amar na última década de quadrinhos ou mesmo pelo filme Guerra Civil? Bem, ao fazer a primeira série de revistas do Pantera Negra (que antes não tinha revista própria) na década de 70, o artista Jack Kirby não usou nada disso e criou 12 números de pura aventura escapista e 'viajandona', do tipo que hoje raramente se vê nas principais editoras de super-heróis americanos. O material claramente era o autor usando o personagem para contar suas próprias histórias, e não exatamente direcionado para o universo do Pantera. O título foi encabeçado pelo famoso artista menos tempo do que planejara, e hoje é relembrado por várias situações bizarras que colocou o Pantera.


Mas eu mentiria se dissesse que tudo é ruim ruim (ao menos é curioso, ou engraçado mesmo) nessa rápida fase nada africana do nosso personagem preferido...

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"Onde diabos eu me meti??"


Nesse run, começamos com T'Challa aventurando-se com seu amigo Sr. Little (um diminuto colecionador de artefatos) em busca dos lendários sapos do Rei Salomão, quando são confrontados pela Princesa Zanda e acidentalmente trazem do futuro um humanoide cabeçudo hiperpoderoso que...sim, é isso que você leu. Nosso monarca de Wakanda simplesmente ignorou seus compromissos reais para correr atrás de tesouros com um antigo conhecido de seu avô, Azari, que dizia ter o mapa das minas do Rei Salomão, local de incontáveis tesouros nunca vistos. O local acaba sendo mote para aparição de vilões bizarros a todo tempo, desde os vários guardiões artificiais que o próprio esconderijo tinha (com designs muito doidos) até a aparição dos Colecionadores, um clube de ricaços de diversas partes do mundo interessado em encontrar os artefatos mais raros do planeta. Uma delas inclusive ameaça o Pantera, dizendo que se não ajudasse a localizar uma cidade perdida onde encontra-se uma poção para imortalidade, jogaria uma bomba atômica em Wakanda! Sim, é um enredo super datado até para a época que foi escrito e ia em contra ponto as histórias anteriores do herói na revista Jungle Action, onde muito da mitologia do Pantera Negra (principalmente os vilões) foi criada. 


As primeiras edições dessa fase mostram um T'Chala um pouco diferente, apesar de ainda certa austeridade, facilmente podemos trocar o nome do personagem que não faria diferença o Pantera estar lá, pois pouca coisa remetia a mitologia dele se desconsiderássemos o uniforme clássico. Talvez por isso lá pela 7ª edição o roteiro retorna a Wakanda (mas T´Chala ainda está fora do país) mostrando a origem de Jakarra, invejoso irmão do herói que por alta exposição ao vibranium acaba tomando a forma de um poderoso monstro quase invencível, só derrotado quando o Pantera volta a sua terra. Uma pena que isso role durante um enredo totalmente viajado de um sci-fi meio sem pé nem cabeça, com direito a robôs, cientistas loucos e...os três mosqueteiros negros!


Apesar de começar a leitura com o pé atrás, admito que relevando certos elementos se torna algo bem divertido de folhear. A estética é muito louca e colorida como mandava a época, vilões claramente vilões e novos elementos apresentados toda edição, fora a narrativa clássica de super heróis mascarados, deixando todas as cenas de ação do Pantera bem impactantes. E assim como Kirby ignorou o que veio antes, essa fase também foi riscada de sua cronologia, com um ou outro autor homenageando seus elementos de vez em quando.


Por que ler: uma aventura nada a ver de um Pantera nunca visto, com ótima narrativa visual
Passe longe: se for fã hardcore ou com a sanidade alta
Opinião do redator: se a história é ruim, as artes dão belos pôsters


26/10/2016
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.