Review: DC Rebirth - Cyborg #1

Review: DC Rebirth - Cyborg #1

Não é o único, mas atualmente o herói de rosto africano mais famoso da DC Comics: Cyborg! Há alguns anos a editora tenta explorar mais o potencial do personagem nos quadrinhos (pois na TV já é sucesso, principalmente entre a molecada), colocando-o na na Liga da Justiça e investindo em uma nova revista própria. Mas não engrenou. A verdade é que ele sempre foi um excelente coadjuvante, só que carente de uma mitologia própria que alguém consiga lembrar para gerar interesse em vê-lo em aventuras solo. Ao menos do tempo que lia fielmente as histórias dos Titãs, raramente haviam enredos memoráveis envolvendo o cara.   

 

Em 2016, dentro do reboot que não é reboot da DC (DC: Rebirth), o Cyborg ganha novo título, agora por um roteirista mais calejado em cuidar de personagens negros: John Semper Jr, roteirista do desenho do Super Choque e tb de muitas outras animações da Warner, Disney e Hanna Barbera. Será que agora vai?

 

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O que vemos nessa primeira edição é maaaais uma história do Cyborg defendendo os laboratórios S.T.A.R contra um inimigo que quer algo guardado num canto obscuro do lugar, algo que nem mesmo o próprio Cyborg sabia o que era. Durante a aventura recontam um pouco da origem do herói, que fora refeita nos Novos 52 e que pra quem não acompanha é referência direta ao que foi visto no cinema (naquela ceninha de Batman VS Superman), deixando parte da reconstrução do corpo destruído de Victor Stone à uma caixa materna, computador alienígena "vivo" com usabilidade ainda não explicada pelos homens da Terra. Aqui o autor trabalho com algo interessante, a possibilidade de após ter sido fundido à essa máquina extraterrestre, Victor não ser o filho do genial doutor Silas Stone, que desenvolverá um programa de reconstrução de tecidos que usará para prolongar a vida da esposa com câncer. O genial Silas, com medo de perder o filho, uniu seus experimentos ao que tinha descoberto da caixa materna, criando assim o que conhecemos como Cyborg. Aquilo era seu filho? Um clone com os mesmos padrões mentais? Ou uma nova forma de vida? 


Esses questionamentos permeiam as páginas da revista até o final, que culmina num vilão que acredita que o Cyborg seja parte de uma espécie de "irmandade", formada por seres robóticos conscientes. Uma nova raça. Em um telão, aparecem muitos outros heróis e vilões robóticos da DC, sendo que o vilão tem uma aparência que liga diretamente com algo da origem do Cyborg. Ao menos foi minha impressão no final do gibi.

 



A princípio não estava gostando do enredo, mas adorei como John Semper conseguiu utilizar elementos já conhecidos para tirar (um pouco) do Cyborg aquela velha "síndrome de Pinóquio", mesmo que algumas personas desse primeira edição continuem batendo nessa tecla, foi muito legal tentarem tornar ele algo maior que alguém alquebrado. O único ponto negativo (ou não) é que o Cyborg é quase um coadjuvante de sua própria história, muitos falando e planejando sobre ele, e o mais interessado ainda preso em seu mundinho, atento ao monstro da semana e preso em melancolias. Na verdade as falas dele mal fazem diferença, se ele fosse mudo e a história fosse apenas contada com os recordatórios dos coadjuvantes, talvez ficasse até mais bacana. 


Eu duvido que ele seja o personagem preferido de alguém. Mas essa primeira história pode até chamar a atenção de quem nunca leu nada do cara, para assim ele perder logo a aura de coadjuvante de luxo ou "entrou nessa equipe aí por cota".


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Por que ler: mesmo parte de uma cronologia, dá pra ler sem conhecimento prévio do personagem. Ótimo pra novos leitores

Passe longe: o roteiro pouco arrisca, para alguns tem pouca novidade (ou nenhuma) nessa história

Opinião do redator: Bom primeiro número de uma mensal, se o arco manter a qualidade valerá ter um encadernado na estante



02/11/2016
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.