Entrevistamos: Roberta Araújo, autora de gibi de heroínas ancestrais

Entrevistamos: Roberta Araújo, autora de gibi de heroínas ancestrais

Vamos abrir aqui a nossa sessão de entrevistas! Começamos com a estudante de história da arte e roteirista Roberta Araújo. Sem mais delongas, vamos ao que interessa, tá tudo explicadinho abaixo acerca do que se trata:


14938341_592925617563998_1416213061035188656_n.jpg


Fábio Kabral: Então, nunca fiz esse lance de entrevista, pra ser sincero, vou te falar que meu interesse maior é divulgar o seu trabalho, porque é o que eu acredito é essa disputa pelo imaginário q poucos dos nossos se atentam porém é importantíssimo


Roberta Araújo: Vamos nessa que eu te ajudo, to acostumada com essa de entrevista. rsrs. Eu sou a criadora da página Mulheres nos Quadrinhos e vire e mexe rola algumas entrevistas sobre o assunto rsrs Então, eu sou estudante da História da Arte da UFRJ, pesquiso sobre hqs, criadora e administradora da Página Mulheres nos Quadrinhos e agora criadora e roteirista da D.A.D.A. O Mulheres Nos Quadrinhos eu comecei em 2012, por me sentir meio perdida dentro dos quadrinhos e hoje é a maior página de divulgação de quadrinhos que existe.

Kabral: Acabei de curtir a página, quase 120 mil, realmente impressionante!


Roberta: Né? Meu amorzinho esse projeto


Kabral: Parabéns pelo trampo!


Roberta: Obrigada ❤


Kabral: Me conta sobre o D.A.D.A. O que é? De onde veio a ideia?


Roberta: Então, quando Ana me convidou e falou que a ideia era criar heroínas brasileiras. Eu tinha certeza que ia ser negra. Minha ideia é não só me ver representada, mas que todas nós possamos olhar e nos ver nessas mulheres. Dentro dos quadrinhos, ainda somos minoria, principalmente em representação e em pessoas produzindo, e eu quero reverter isso. Logo depois comecei a pensar no visual delas; uma só não ia dar conta da diversidade, então coloquei quatro, cada uma com um a tipo de cabelo, de roupa e tipo físico.


Kabral: Sim! Os cabelos e penteados de cada uma das quatro personagens, percebi de cara, bastante representativos, englobam bem a nossa diversidade negra. Os tipos físicos também. Gostei muito do visual, das armas, me lembrou de imediato os games de RPG e gibis que eu curto. Games, RPG e gibis também foram sua inspiração? Quais? Quais games e gibis e RPGs você mais gosta?


Roberta: Toda a história se passa em um futuro pós apocalíptico, e peguei como inspiração muito filmes e tbm tem MUITA influência do Mad Max, que eu peguei como referência principal. Mas quando passei as ideias pra desenhista peguei muitas imagens de de Games e RPG que tinham como temática o apocalipse. Eu não sou tão ligada em games e RPG, mas quadrinhos é minha paixão maior e sou bem voltada pra galera do independente.


Kabral: Entendi! É que sou muito voltado pro mainstream, mas infelizmente conheço pouco dos independentes. Bacana a sua visão, oferece um outro olhar ao mercado.

Tenho uma dúvida: da descrição do seu trampo, está escrito: "quatro Orixás"; isso se refere às protagonistas em si ou seria aos Orixás que regem as moças? Sou candomblecista e essa parte me chamou a atenção. Qual seria a sua orientação religiosa?


Roberta: Então, eu fui praticamente a minha vida inteira evangélica mas a maior parte das pessoas minha família são do candomblé. E depois que saí da igreja consegui encher o quanto rico é essa religião. As protagonistas são  reencarnação das Orixás


Kabral: Ah, entendi. Bacana! Você pode dizer quais Orixás, no caso Yabás (Orixás femininas) cada uma delas representa?


Nanã

14906875_592513270938566_6697985925390648737_n.jpg


Oxum

14937315_592433694279857_7329881041561351788_n.jpg

Obá

14925259_591246531065240_7123890403677187107_n.jpg

Iemanjá

14732150_590928091097084_1032494403403215592_n.jpg


Kabral: Eu suspeitei pelas cores que você usou, mas você falando agora eu admito que deu um arrepio. Mãe Obá em especial, uma Yabá pouco conhecida mas que possui traços muito marcantes e característicos, de certa forma uma guerreira trágica; mãe Nanã, também não tão conhecida, a mãe primordial das águas paradas, a mais velha das mais velhas; mãe Oxum e mãe Iemanjá são mais famosas, poderosas e magnânimas. Eu gosto muito desse movimento de apresentação e imaginário do nosso imaginário, desse nosso heroísmo de rosto africano. Está de parabéns!


Roberta: Ai fico muito feliz de ler isso ❤ Eu pesquisei MUITOOO e fiquei encantada pela história de cada uma. E coloquei as características emocionais de cada Yabá nas heroínas.

E os poderes de cada uma delas tem a ver com suas Yabás.


Kabral: Muito bom! Estou com cada vez mais vontade de ler! Tenho especial interesse nos poderes de cada uma.

Pode contar um pouco sobre a história?


Roberta: Então, a história se passa em um futuro pós apocalíptico, aqui no Rio de Janeiro. Onde não tem tecnologia, tudo no clima de destruição. Onde as mulheres e os homens mais fracos são mortos e feitos de escravos. Elas nascem nesse clima, e estão sempre alertas pra salvar quem precisar elas nasceram pra isso.


Kabral: Ótimo! Parece bem promissor mesmo. Nosso Rio já é um caos hoje, imagina num futuro distante e sinistro? Risos. Muito bom, as Yabás cumprindo seu dever para com a humanidade, com bravura e heroísmo. Gostei!


Roverta: Ai que bom ❤


Kabral: Acho que por enquanto é isso! Muitíssimo obrigado! Tem algo mais que deseja falar? Agora aproveita pra falar quaisquer coisas que gostaria de dizer mas que não foram tratadas até então.


Roberta: A escolha do nome do quadrinho é uma coisa interessante. D.A.D.A


Kabral: Verdade, nem perguntei sobre isso. Diz!


Roberta: Eu estava pesquisando palavras africanas e encontrei essa. Que significa irmãs. O que tem tudo a ver com a história, e a partir daí que eu escolhi no nome das meninas. Fui procurando mulheres negras que fizeram história e que tivessem a primeira letra do nome que formasse a palavra D.A.D.A.


Kabral: Uau. Apenas uau. Parabéns novamente!!


Roberta: Muito  obrigada!!! É muito importante essa boa recepção ❤


Kabral: É que, além da imensa importância desse trabalho para a nossa gente, esse trabalho de pesquisa por si só merece aplausos. Muito bom mesmo.

Então vamos ficando por aqui! Mais uma vez, obrigado!


Roberta: Eu que agradeço de coração. ❤


14980676_1162986190448990_139533404395005986_n.jpg


Mulheres nos Quadrinhos


D.A.D.A.




07/11/2016
Fábio Kabral

Fábio Kabral

Redator

Escritor caótico e menino do rio que vai conquistar o mundo com uma flecha só.