Crítica: A estreia de Riri Williams em Invencible Iron Man #1

Crítica: A estreia de Riri Williams em Invencible Iron Man #1

Devido a vícios do roteirista, esperada estreia da personagem acaba sendo bem morna e cheia de clichês.

E no fim do gibi fica explicado porque o gibi se chama “Homem de Ferro” e não “Iron Heart”.

A história começa com um flashback. Descobrimos que Riri foi diagnosticada com um intelecto super astronômico, o qual deve ser sempre estimulado e corretamente direcionado para evitar um desastre.

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Em seguida a história parte direto pra ação. E aí começa o primeiro vacilo: o roteirista utiliza uma vilã de quinta, criada pelo próprio, como primeira adversária de Riri neste primeiro número. Trata-se de uma personagem sem substância, que sempre faz a mesma coisa: invoca monstros no meio da cidade e faz discursos de revolta adolescente no mesmíssimo rompante de fúria de sempre. Ela já apareceu um tanto de vezes em histórias passadas e sempre faz a mesma coisa, sempre sempre sempre. Acho que a Riri merecia algo melhor…


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A ação é alternada com diversos flashbacks sobre as fases da vida de Riri, como por exemplo suas primeiras criações na garagem de casa e quando conheceu sua amiga e posteriormente namorada Natalie.


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E então somos apresentado ao segundo vacilo, na minha modesta opinião: o clichê do subúrbio violento. O roteirista, que é o mesmo criador do nosso Homem Aranha Miles Morales, utilizou-se do mesmíssimo artifício com esse. Será que as histórias sobre nossos jovens heróis de rosto africano sempre devem passar por um cotidiano violento repleto de criminalidade? É só esse tipo de história que interessa contar?


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É uma pena que não veremos mais o heroísmo desse pai, ou o amor dessa amiga e namorada… Eles precisavam mesmo morrer para motivar Riri ao heroísmo?


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Riri Williams então derrota a tal vilã de quinta com bastante facilidade. E aí ela é cercada por policiais, e chega a levar o tiro na cabeça (!!) de mais um “disparo acidental”. Devido ao seu passado (novamente) trágico, ela se enraivece, destrói a arma que a alvejou, e vai embora. Alguns poderão dizer que é um “esforço do roteirista em retratar o atual de tensão racial que vive os Estados Unidos”; bom, esse “estado de tensão”, na verdade, é uma constante… não acho que deva ser considerado tal retratação como um “mérito”, embora também não seja um demérito. Mas eu gostaria de ver outros tipos de histórias que não apenas sobre brutalidade policial contra jovens de rosto africano, ou pelo menos retratadas de outra forma. Em se tratando desse roteirista em específico, infelizmente essa abordagem simplista não surpreende.


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E então chegamos ao fim do gibi, e descobrimos porque ainda se chama Homem de Ferro; simplesmente porque o cara ainda é o astro da história. No prefácio da edição, narrado pela própria Riri, ela demonstra dependência do Stark, como se ela não pudesse se virar sozinha. Ela deseja muito que ele estivesse lá para auxiliá-la e guiá-la.


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E aí que no fim da edição seus desejos são atendidos…


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Ao que parece, Stark ou morreu ou ficou em coma no fim de Civil War II. Acredito que seja a segunda opção, mas tanto faz; o cara virou uma inteligência artificial, que vai guiá-la e ditar o tom da história, mantendo seu protagonismo no gibi.

Perceba que, fazendo um paralelo com Miles Morales, no qual o Homem Aranha original havia sido morto, Miles teve que se virar sozinho, no máximo, contando com tapes de lutas anteriores do seu predecessor. Por que Riri Williams não pode se virar sozinha também? Afinal, para que serve a sua alardeada inteligência super excepcional?


Ou seja, quem reclamou que Stark estava sendo substituído por causa do “politicamente correto” (seja lá o que essa idiotice signifique) reclamou demais. O cara tá aí… Infelizmente, o roteirista é conhecido por tentar agradar a todos, só que, no fim, acaba não agradando ninguém.


Criou-se muita expectativa em torno desse gibi, principalmente devido a meios de comunicação que nem falam sobre gibis noticiando sem parar sobre a personagem, que acabou de chegar no universo Marvel e mal apareceu nas histórias. Tudo por ser uma jovem de rosto africano. Mas a expectativa, até o momento, não se confirmou. Admito que, como história de origem, funcionou no sentido de ter sido bem mais rápida - uma única edição - em relação a outra criação do roteirista, nosso Miles Morales. No entanto, a concretização acabou se tornando previsível e até mesmo tediosa, na minha opinião.


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De qualquer maneira, esta foi apenas a primeira edição. Riri Williams está aí, e espero que, assim como o Miles, tenha vindo pra ficar.



10/11/2016
Fábio Kabral

Fábio Kabral

Redator

Escritor caótico e menino do rio que vai conquistar o mundo com uma flecha só.