Review - Floyd Norman: An Animated Life

Review - Floyd Norman: An Animated Life

“Animação sempre foi algo mágico, como aquele monte de desenhos estáticos vira movimento? Os caras que criam essas coisas são gênios!” é o que eu pensava quando criança. Parte desse sentimento em relação aos desenhos animados voltou um pouco à tona ao assistir o excelente documentário Floyd Norman: An Animated Life, lançado em 2016 e disponível no streamming preferido da galera. Essa é a vida e obra de um ilustre desconhecido para quem não acompanha os bastidores, de um senhor responsável por muita coisa que fez parte da nossa infância, do PRIMEIRO negro a trabalhar como animador na Disney.

Ele entrou para a companhia do rato em 1956, e entre indas e vindas até hoje vai trabalhar todos os dias. Em sua primeira fase Participou das animações A Bela Adormecida (1959), 101 Dálmatas (1961), A Espada Era A Lei (1963) e Mogli – O Livro da Selva (1967), tendo saído da empresa após a morte de Walt Disney e fundado sua própria empresa audiovisual, a Vignette Films. Em sua própria empresa gravou muitos vídeos emblemáticos sobre a situação racial nos EUA, tendo registrado muitos conflitos urbanos. Claro que isso não dava dinheiro então fizeram também muitos trabalhos comerciais, destacando as animações de Bill Cosby feitas em parceria com a CBS.


Ok, descrever a carreira do cara é legal mas o melhor do documentário é realmente ver o amor que Floyd tem pela animação, mesmo vendo que não teve o mesmo sucesso que muitos de seus amigos. Com 50 anos de industria e boa parte deles na Disney, não exerceu posições de liderança, não dirigiu filmes, não teve o mesmo reconhecimento que vários de seus contemporâneos. Ele foi (e é) aquele cara que sempre esteve ali nas grandes produções, Disney, Hanna-Barbera, Pixar, uma constante dentro da industria que foi evoluindo com ela e precisa estar próximo dela para viver, tanto que mesmo aposentado conseguiu manter uma sala dentro dos estúdios de animação da Disney. Sendo parte da casa, o documentário tem muitas inserções cômicas feitas com cartoons do próprio Norman, de vários fatos do dia a dia do animador e até sua convivência com o pai do Mickey.

É uma história de perseverança no sonho, afinal, quem diria que um negro iria trabalhar com desenhos animados em plena época de forte segregação racial? Um negro vivendo de arte? Floyd abordou pouco desses dilemas no documentário, mas acredito em como era difícil ser quadrinista (seu começo de carreira) e animador em meios majoritariamente brancos. Não ficou claro que isso o atrapalhou alçar voos mais altos nos estúdios que trabalhou, fica para nós esse questionamento, e também a forte inspiração do legado deste velho animador.

Título: Floyd Norman: An Animated Life
Ano: 2016
Direção: Michael Fiore e Erick Sharkey
Duração: 94 minutos


13/01/2017
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.