Seja um deus egípcio em Black Sands: Legends of the Rift

Seja um deus egípcio em Black Sands: Legends of the Rift

Visual novel sempre foi um tipo de game ligado a animes, onde a própria dinâmica e enredos nunca me interessou. Pra quem nunca “jogou”, são uma espécie de rpg onde se acompanha uma história por meio de imagens estáticas, com momentos em que o jogador consegue decidir por qual caminho seguir. No Japão, muitas franquias de animação conhecidas nasceram nessa mídia, então não é surpresa que o “gênero” tenha expandido para outros países. Black Sands é o primeiro do estilo que joguei na vida, tem a carga de anime no visual mas, claro, chamou atenção por conter personagens negros.

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A história parte do princípio que a raça humana foi criada por alienígenas, aqui personificadas no deus egípcio Nun. Essa entidade percebe o caos que a Terra se tornou e cria novos deuses para influenciar e direcionar os humanos, só que primeiro esses personagens precisam se tornar dignos para que possam abandonar o Rift, que ao mesmo tempo é sua morada e prisão. Jogamos principalmente com Rah, o primeiro humano criado por Nun, e aquele destinado a governar a humanidade. Para tanto, devemos interagir com personagens de outros panteões, adquirindo mais conhecimento sobre suas culturas e por consequência sobre o mundo terreno.

No quesito enredo, o game é foda. Porém a narrativa me é pouco dinâmica, nas interações os personagens praticamente só tem uma arte, o que deixa certos momentos meio estranhos já que para sentimentos diferentes o herói em tela está com a mesma expressão. A dublagem (mediana) meio que sobrepõe essa falha, mas em diálogos longos fui perdendo o interesse no desenvolvimento da cena, dando aquela velha sequência de cliques pra pular as falas e avançar no jogo. Sim, é bizarro, mas quem nunca fez isso em rpg eletrônico né? Nessa desemboquei em outro ponto negativo, para mim, que são sequências de combate. Não é chato em si, mas é apresentado como um jogo de luta (um boneco de cada lado, barra de sangue em cima), só que os golpes são acionados clicando em boxes no canto esquerdo e a resposta foi meio lenta. A conclusão da luta foi ótima, arte semi-estática aliada a um efeito sonoro maneiro deu um impacto legal estilo sprite final de super combo.

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Em resumo não é um título perfeito, creio que se não passar bem pela demo dificilmente irá adquirir o produto, ou vale a pena pegar em promoções. Sendo produzido pela Black Sands Entertainment, faz parte de uma grata nova leva de produtos afrocentrados, que devido a popularidade da mídia (vídeo game) talvez tragam mais conhecimento (ou inspiração) pra molecada do que qualquer documentário sobre nosso continente negro. E é sempre bom ver algum produto da industria cultural mostrando o Egito antigo etnicamente correto, ou seja, cheio de gente preta representando os papéis principais. 



02/02/2017
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.