Review: Shaka Zulu - TV Series

Review: Shaka Zulu - TV Series

Shaka Zulu, é uma mini-série de 1986 que narra a trajetória desse imponente lider da nação Zulu, que se expandia violentamente pela África nos século XIX e causava medo nos colonizadores ingleses. Foram 10 episódios produzidos para o canal South African Broadcasting Corporation, com uma qualidade de produção que hoje talvez só vemos em séries da HBO ,com o diferencial de apresentar à um grande público esse importante personagem da história da África.


A saga começa quando os ingleses presentes no Egito começam a temer a cada vez mais próxima presença dos zulus em seus territórios conquistados. É uma ameaça iminente ao império, tendo a Inglaterra sua economia baseada na extração de riquezas e matéria-prima das colônias. O governo inglês não podendo dispor tropas locais para conter o avanço Zulu (com medo de mover esses exércitos e perder outros territórios) acaba aceitando um plano alternativo do Tenente Francis Farewell, que com um pequeno grupo pretendia apresentar a Shaka uma proposta comercial, ao mesmo tempo que planejariam uma forma de derrotá-lo.


O começo da série é meio difícil, como vemos muito do elenco caucasiano até parece que os zulus serão meros coadjuvantes de um conto inglês para assustar crianças, mas assim que o grupo de Farewell encontra os exércitos de Shaka, começa uma narrativa (contada pelo Dr. Henry Fynn) que conta a história do personagem título desde antes de seu nascimento. E é aqui que o programa brilha.


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Vemos como o filho bastardo de um rei fraco, (Senzanganakhona do Zulus, que na época era um povo minusculo) se tornou um dos maiores conquistadores e estrategistas que o mundo já viu, tendo criado novos métodos para combate que mudaram a forma como a guerra era travada na África. O que nos coloca na história, além da atuação soberba de Henry Cele como Shaka Zulu (taí um cara que impõe medo no olhar do espectador), é o cuidado com a cenografia, figurino, e inclusive uso da língua zulu. Cada nação apresentada tem seus próprios costumes, vestimentas, trejeitos e arquiteturas bem definidas, derrubando aquela visão eurocentrada de que os povos africanos eram meros selvagens com uma única cultura barbara. Claro que por não ser um especialista nessas culturas, não posso garantir a veracidade de alguns rituais e costumes, mas é inegável o quanto a produção nos faz sentir parte daqueles acontecimentos.


Eu vi pela Netflix, quem puder corra lá antes que saia de catálogo!



22/03/2017
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.