Review: Blaster Knuckle

Review: Blaster Knuckle

Quadrinho japonês é referência para várias gerações de nerds brasileiros, e apesar do material influenciar a leitura de muita gente até hoje é notório que o negro poucas vezes é bem representado nessa mídia. Também pudera, mangá é feito de japoneses para japoneses, esperar ver heróis de rosto africano realmente bacanas é até meio ingênuo da nossa parte. Era o que eu pensava antes de ler Blaster Knuckle!!!

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Victor Freeman é um homem com uma missão, exterminar demônios que se disfarçam como humanos na América do fim do século 19. Na infância viu o pai ser devorado vivo por esses monstros, que graças a conivência do estado com o extremo racismo imposto aos negros, transformou aquele país em terreno fértil para uma raça ancestral de criaturas devoradoras de carne humana, que para manter-se incólumes preferiam matar aqueles que ninguém se importava. Mas agora tinham um rival à altura, Victor era um pugilista com habilidades sobre humanas, que aliadas a sua blaster knuckle (uma manopla que era mistura de soco inglês com arma de fogo) conseguia exterminá-los com as próprias mãos, numa sequência de socos que culminava num golpe explodia a cabeça dos demônios. O problema era que após mortos os demônios revertiam à uma forma humana, transformando Victor no inimigo publico numero 1 dos EUA, porque afinal era um negro super forte que estava matando caucasianos à sangue frio e deixando seus corpos e tripas espalhados por todo o continente.

Caçado por humanos e demônios, esse é o herói do mangá Blaster Knuckle, publicado em 1992 pela Jet Comics, sendo compilado em três encadernados.


Apesar de estar dentro de um esteriótipo bem comum (infelizmente) nos quadrinhos, aquele do negro ou ser um cara mega boladão ou ser super engraçado e “exótico”, o protagonista dessa história é interessante na sua bidimensionalidade. Sua origem justifica todo o ódio que carrega dos demônios, que extermina sem pensar em consequências ou recompensa, tendo sua moral amparada totalmente pela vingança. Também achei interessante o cara ser boxeador, esse esporte que por tanto tempo temos maestria, e não alguma coisa totalmente fora como um samurai/ninja ou até mesmo o velho clichê do capoerista. Sim, tem mangás de monte com nossos irmãos lutando capoeira, como se fosse a única arte marcial que pudéssemos dominar.

E vale ressaltar que visualmente o mangá é um deleite, principalmente pelos participantes afro americanos terem realmente traços negróides, e com uma boa variedade de silhuetas. Uma pena que por ser uma série curta, Victor foi o único personagem negro forte a aparecer, com certeza teria espaço para bem mais! 

Para vocês também se empolgarem e correrem atrás desse material (fácil localizar em português também) deixo abaixo algumas páginas bem bacanas:


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23/06/2017
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.