Review: Aliens - Defiance

Review: Aliens - Defiance

Zula M. Hendricks é uma space marine quebrada. Como mulher, e negra, teve que ralar 3 vezes mais que o resto de sua turma para conseguir a vaga no exército, onde em uma primeira missão sofreu danos graves à sua coluna. Isso não é bem problema para a medicina do futuro, que com alguns ajustes coloca a soldado em campo novamente para uma missão aparentemente simples.

Europa é uma espaçonave de carga que está a deriva, danificada, e a corporação Weyland Yutani envia um destacamento de andróides para resgatar algumas informações do mainframe do veículo. Hendricks é parte desse destacamento, sua missão é digitar os códigos e trazer determinada informação de volta a Terra para análise. Infelizmente o que a companhia queria da Europa não eram exatamente os dados que a soldado queria buscar. Quem já viu algum filme da franquia Alien, entra nessa série já sabendo o que esperar. Carnificina, desespero, e uma personagem feminina forte. Esta série em 12 números publicada pela Dark Horse em 2016, consegue entregar até mais que isso, embora alguns desfechos óbvios e irregularidade de arte e roteiro na reta final.



Quando Zula Hendricks descobre que o objetivo da companhia não eram dados, mas sim conseguir um espécime vivo da forma de vida mais letal conhecida, a soldado toma uma decisão: aquilo não poderia chegar à Terra. Nessa decisão acaba com um aliado inesperado, Davis 1, um dos andróides designados para a missão que totalmente contra sua programação começara a desenvolver sentimentos humanos. Juntos, embarcam em uma jornada quase suicida para tentarem voltar pra suas casas e no caminho destruírem todos os aliens que conseguírem. É quando a decisão da soldado começa a pesar, vemos que a Weyland Yutani queria tanto o espécime que a missão mostrada na primeira edição não era a única, deixando ela e Davis num fogo cruzado entre xenomorfos assassinos de sangue ácido e outros soldados do exército americano.

E em meio a todas essas tretas, o tratamento para a soldado ainda não estava concluído. A cada edição seu processo para vencer a dor e continuar lutando é cada vez mais pesado, onde vemos que se largar suas convicções e entregar o monstro a companhia pode até ser o meio para sobreviver. Mas não se livraria de seus demônios.



Vi poucos problemas nessa mini série, o roteiro é meio óbvio em vários trechos e fica claro que devido a franquia que pertence, certas convenções eram obrigatórias para os fãs não reclamarem, fora uma personagem do canon aparecer só como easter egg mesmo. Então se você nunca viu nenhum filme e tem pouco background, talvez seja até uma leitura mais interessante. Dito isso, a forma como as coisa foram mostradas incomoda um pouco em alguns números, pois como o desenhista muda depois da terceira edição (acho q ao todo são uns 4 diferentes), a narrativa não acompanha a força que vemos na abertura da série, e nos números finais o ilustrador difere muito do estilo que nos foi apresentado inicialmente. A arte não é ruim (pelo contrário) mas entrega a sensação da série ir ficando mais morna a cada passo mais próxima do climax.

A série ainda não foi publicada no Brasil (até o momento), e felizmente tem um final bem aberto. Pode ser que quando menos esperarmos apareçam novas aventuras de Zula pelo espaço afora.

11/08/2017
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.