Crítica: Detroit em Rebelião

Crítica: Detroit em Rebelião

Detroit Em Rebelião é um filme desnecessário. De técnica impecável e direção segura, o filme mostra um recorte dos conflitos que destruíram Detroit durante 5 dias em Julho de 1967, motivados pela constante violência policial contra a população negra. John Boyega, é um segurança particular que dentro dos conflitos, à sua maneira tenta evitar que outros negros sofram violência, mesmo que suas atitudes passivas até demais caminhem contra o sentimento de revolta da maioria. A saga desse personagem em uma noite fatídica onde outros negros são brutalmente coagidos para confessarem um crime, é nada mais que o dia a dia de muitas 'minorias” até hoje, que assim como ele ficam inertes perante a ameaça sob chumbo grosso e falta de esperança. Então por que ver esse filme, ao menos a experiência cinematográfica é válida?

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Kathryn Bigelow é uma diretora experiente em colocar o expectador dentro dos conflitos, algo claro para quem viu seus filmes anteriores ambientados em guerras no oriente médio. Em Detroit vemos o mesmo modus operandi aplicado à um ambiente urbano, complementado por muitas cenas e áudios retirados de noticiários da época. Não sei como será sensação para todas as audiências, mas sendo negro, a tensão é constante. Conhecemos brevemente a vida de Larry (Algee Smith) um cantor em busca de um contrato com a Motown Records e Fred (Jacob Latimore) seu amigo inseparável, que o ampara tentando fazer parte dos sonhos do camarada. Tentando fugir de uma nova manifestação, os dois se hospedam em hotel onde aparentemente a vida segue como deveria, música, bebida, mulheres, e uma piscina para refrescar. Então essa paz momentânea é quebrada por uma batida policial, capitaneada por agentes já com histórico de violência contra negros. Daqui em diante, nada caminha para que os negros tenham um bom desfecho, as sequências de tortura (físicas e psicológicas) vomitam para fora da tela uma sensação de inutilidade que pode até tirar alguns expectadores da sala, em um arco que achei até prolongado demais dado o resultado óbvio. Em meio a isso tudo estava (Boyega), inerte, onde sua pouca autoridade não era nada, afinal, era apenas mais um negro em um mundo branco.

Poderia soltar um spoiler do fim da trama, já que o filme é baseado em fatos reais. Mas prefiro colocar que o desfecho apenas concluiu o sentimento de desesperança da população negra daquela cidade, mostrando que o mal venceu. Para a população negra, lá e aqui, o filme é um relato do dia à dia. Para os que não sofrem esse tipo de violência, a película pode funcionar como aviso, melhor, uma amostra de como a intolerância causa sofrimento à aqueles que estavam só ali em busca do sonho, da sobrevivência da família. Daí volto ao início do texto, o material entregue faz alguma diferença para nós?

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Como cinema digo que é um excelente produto, entrega o que o cartaz propõe com uma maioria de boas atuações e uma câmera de tirar o fôlego. Mas pelo que o filme representa (esse ano fazem 50 anos do conflito em Detroit), creio que nenhum novo ponto sobre a discussão foi posto, com o adicional de em tela não vermos nenhum freio à impunidade do sistema. Parece demais com a vida real.

Detroit em Rebelião (Detroit)

Ano: 2017

Direção: Kathryn Bigelow

Elenco: John Boyega, Antony Mackie, Algee Smith

Duração: 2h 23 minutos



27/09/2017
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.