Star Trek: Discovery - Primeiras Impressões

Star Trek: Discovery - Primeiras Impressões

Recentemente renovada pelo cinema, Star Trek é uma franquia de 50 anos que parecia ter esquecido o meio onde tem mais prestígio, a TV. Visando uma nova audiência, a CBS se uniu a Netflix e concebeu uma nova jornada ao desconhecido, com a missão de trazer para as telinhas todo o público que curtiu o reboot (que eu gostei, mesmo sendo fã das antigas) sem esquecer dos fanboys (trekkers) que avidamente devoram todas as ??? temporadas da franquia. E nos dois episódios que soltaram essa semana, fiquei quase que totalmente satisfeito com o resultado.

Primeiro uma constatação: além do trailer, não me preocupei em rememorar nada dos programas antigos. Dei play com o peito aberto, na cabeça apenas um breve background da série clássica, querendo ver novamente uma equipe de exploração espacial diversa (linha que hoje tem toda uma nova gama de pensamentos) vivendo altas confusões, resolvendo guerras com mais sagacidade do que tiros fotônicos.

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De cara a primeira surpresa, efeitos especiais incríveis e um design nada minimalista para a frota e para os vilões da trama. Michael (Sonequa Martin-Green) está examinando um estranho artefato próximo a órbita da USS Shenzou, nau exploratória comandada pela Capitã Han (Michelle Yeoh). Logo isso se revela parte de um estratagema de uma facção klingon, que queria iniciar uma guerra contra a Frota Estelar buscando seus antigos momentos de glória guerreira. Esses clássicos antagonistas da franquia aqui tem nova identidade visual, que pouco lembra os tempos de baixa renda da franquia. Em Discovery, tudo relacionado a cultura klingon tem design exageradamente complexo, dependendo do tamanho de sua tela muitos detalhes passarão desapercebidos, desde o casco das naves indo para seus pisos, escadas, vestimentas, tudo é uma explosão sensorial. Talvez não case com a proposta original de Star Trek que fazia alusão aos russos (era Guerra Fria), mas o novo design dessa raça mostra que o orçamento ao menos de início foi bem gasto. Embora não tenha entendido por que as feições deles agora terem características negróides, já que tinham tanto cash podiam ter inovado até mais. Porém, algumas questões sobre albinismo bem relevantes são colocadas em tela, o desenvolvimento de certo personagem pode trazer questionamentos interessantes para negros e brancos.

Retornando ao episódio, vemos mais da oficial Michael Burnham em ação. Ela é uma humana que vive sobre os preceitos vulcanos, constantemente tentando viver entre a razão e a emoção, tomando decisões que nem sempre respeitam cadeia de comando ou coleguismo. Sinto que a trama não pediu tanta entrega da atriz até o final da segunda parte, a personalidade dela oscila bastante e em muitos momentos ela nem é a mais interessante em tela, embora o gancho para o episodio 3 deixe uma obrigatoriedade em focar os próximos passos da heroína. O elenco de apoio também aparenta que trará muita coisa boa, principalmente o alien Saru (Doug Jones) que em dado momento comenta fatos aterradores das relações entre seus pares e a raça humana.

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Star Trek: Discovery, claramente bebe nos reboots de JJ Abrams, mas espero que após o espetáculo visual dos dois primeiros episódios liberados pela Netflix, também venham mais tramas resolvidas com mais diplomacia e sagacidade, marco nas série anteriores. Num primeiro momento só me incomodei por irem para o fácil caminho de começar com vilões convencionais da franquia, pois mesmo entrando de mente aberta eu esperava ser mais surpreendido com o argumento inicial, que é até fraco mas foi muito belamente apresentado.



27/09/2017
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.