O Falcão está de volta! Review de Falcon #1

O Falcão está de volta! Review de Falcon #1

Falcão volta a ser Falcão para se reconectar com as suas raízes.


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Primeiramente, é preciso que se diga.


Houve um grande alarde quando Samuel Wilson se tornou Capitão América em 2014. Eu mesmo comemorei bastante, principalmente no efeito positivo sobre as nossas crianças - afinal, não é todo o dia que você vê um homem de rosto africano assumindo o manto do maior herói da dita nação mais poderosa do mundo.


Só que Samuel Wilson é o Falcão desde que surgiu no ano 1969.


Sua identidade como Falcão é que é a sua origem. Falcão é que é o seu verdadeiro legado. Sam Wilson não é um jovem que surgiu meramente para assumir o manto de um homem branco. Sam Wilson é um homem negro que possui seu próprio legado para honrar.


Após os acontecimentos catastróficos da saga Império Secreto, Sam Wilson devolveu o escudo para seu amigo e retomou sua identidade como o herói Falcão. Ainda assim, mesmo como Falcão, permanece como líder dos Vingadores.


Em seu gibi solo, roteirizado pelo escritor afro-americano Rodney Barnes, o Falcão retorna Às suas origens nas ruas de Chicago, e a proposta aqui é lidar com as questões locais de criminalidade e desigualdade que normalmente são ignoradas pelos super poderosos Vingadores em suas missões contra alienígenas e deuses do espaço, questões que assolam e afetam milhares de jovens negros e suas famílias.


Neste gibi, vemos Sam Wilson lutando para reerguer a sua comunidade.


Este primeiro arco começa com o Falcão trocando sopapos com jovens que infelizmente foram cooptados pelo crime. Com a ajuda de seu novo parceiro, Shuan Lucas, Falcão descobre que onda de violência atualmente ocorre por conta da disputa entre duas facções criminosas. Em vez de tratar a questão de forma como pretende o prefeito de Chicago - simplesmente encarcerando ou mesmo matando todos os envolvidos - Sam se encontra com os líderes das facções e consegue convencê-los a fazerem uma trégua, em nome do bem da comunidade.


As conversas com o jovem Lucas, que está sendo treinado pelo Falcão para ser o novo Patriota, são bem interessantes; um homem negro falando de suas questões específicas para seu jovem aprendiz, fazendo uma reflexão de seus atos passados e passando seu aprendizado para a nova geração.


No final do gibi, infelizmente a trégua não ocorreu, pois um dos líderes simplesmente atirou no outro na frente de uma população horrorizada. O caos toma conta.


Só que, na última página, descobrimos o motivo: o criminoso estava sob influência do próprio diabo! O prefeito de Chicago revela ser ninguém menos que Coração Negro, o filho do lorde demônio Mefisto, um ser incrivelmente poderoso!!


Eu gostei bastante deste gibi! Gosto muito quando finalmente colocam um herói de rosto africano nas mãos de um escritor de rosto africano. Dessa forma, nossas questões são tratadas de forma legítima, e a ficção faz o seu papel de nos humanizar e nos harmonizar com nossas questões pessoais, com as questões do mundo.


Apesar de Coração Negro ser uma criatura de poder extremo, gostei muito da ousadia de usá-lo como antagonista do Falcão; a diferença de poderes é tão colossal que a solução para o problema provavelmente será algo mais criativo e satisfatório do que a simples troca de socos. Uma criatura maligna cujo objetivo maior é a corrupção de seres humanos funciona muito bem como uma bela metáfora para a política do Estado de ausência e abandono que vitima milhares de jovens afro-americanos.


Ansioso pelo próximo número!


Nota: 8/10



26/10/2017
Fábio Kabral

Fábio Kabral

Redator

Escritor caótico e menino do rio que vai conquistar o mundo com uma flecha só.