Review: Bishop dos X-Men

Review: Bishop dos X-Men

Relendo essa edição especial: Bishop dos X-Men, lançada pela Editora Abril em 1999, vejo que até hoje é raro ver uma história em quadrinhos com personagem negro na capa em nossas bancas. E em como eu gostava do modo como as revistas dos X-Men abordavam questões de racismo usando os mutantes como mote, algo que hoje talvez tenha se perdido entre mega sagas e reboots de personagens e enredos.




A revista se passa em 2070, um futuro pós guerra contra os Sentinelas onde aparentemente havia harmonia entre humanos e mutantes. Mesmo que o governo fosse majoritariamente humano. Bishop comanda uma equipe chamada EX (originalmente era XSE - Xavier's Security Enforcers), qiue é supervisionada pelo governo tendo como missão defender essa paz recentemente conquistada entre as espécies. Isso sempre traz conflitos com extremistas dos dois lados e a bola da vez é a equipe Fanatix, formada por mutantes que querem exterminar toda raça humana e promover o domínio homo superior. A trama se inicia com o assassinato de um figurão humano que fazia uma festa beneficente envolvendo ricaços de ambas as raças, a Fanatix consegue incriminar um membro da EX pelo crime e dado momento o próprio Bishop é considerado traidor e precisa provar sua inocência.


Sim, é clichê pra caramba, mas há quase 20 anos atrás os quadrinhos de super heróis não era tão pretensiosos quanto hoje, onde muita gente se sente superior apenas por ler algo que na prática é feito em sua maioria pra crianças. Isso sem mencionar as metáforas sobre nossa realidade que não entendidas (sim, tem fãs de X-Men que são racistas) mas aí é outra discussão.




Esse gibi traz algumas coisas bem características das revistas mutantes anos 90, como por exemplo não ficar bem claro quais os poderes do mutantes bonzinhos, já que todos na EX usavam trabucos e até exo-esqueletos. Bishop é um cara que pode converter qualquer rajada de energia que receba em poder, que usa para emitir suas próprias rajadas, mas no primeiro capítulo só usa armas de fogo. Lasca, irmã de Bishop e também membro da EX, possuía os mesmos poderes do irmão mas não manifestou nessa mini. Aliás, o personagem símbolo de X-Men nos anos 90, Cable, também não tinha poder algum quando foi apresentado, só depois que lembraram que para estar ali precisava ser mutante e lhe deram telecinesia, posteriormente amarrando-o a história dos Summers.




No mais é uma história divertida para relembrar da era de ouro dos mutantes da Marvel, quando além dos quadrinhos também eram muito populares nos games e na TV. Bishop hoje é um personagem esquecido, mas nos anos 90 era um dos mutantes mais legais da equipe e tem muitos fãs até hoje, todos tristes com o que fizeram com o cara nas fases mais recentes.




23/11/2017
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.