A NOITE DOS MORTOS VIVOS (REVIEW)

A NOITE DOS MORTOS VIVOS (REVIEW)

Estranhando esse filme neste site? Reveja seus conceitos camarada, pois A Noite Dos Mortos Vivos (1968) de George A. Romero é um dos primeiros filmes à ter um negro como protagonista, num festival de sangue que serve como pano de fundo para um crítica social à frente de seu tempo. Ou talvez não já que a obra foi lançada num período em que o movimento social pelos negros começava a chegar na grande mídia, como por exemplo nesse mesmo ano rolou o famoso primeiro beijo inter-racial da TV americana, entre Uhura e Kir na série Star Trek. Mas deixemos isso pra outro post porque hoje é dia de falar de tripas e miolos!!
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O filme começa corriqueiro, dois irmãos visitam um cimitério que fica bem longe de alguma metrópole, o cara reclama de ter dirigido muito e a garota sofre, por estar em frente ao túmulo de um familiar. Johny, o irmão, brinca de assustar a garota dizendo ali ser um local perigoso e que a morte estava iminente, quando de repente os dois são surpreendidos por um senhor que anda estranhamente, lentamente até os dois...e de repente está apertando a jugular do rapaz! A garota foge desesperadamente até encontrar uma casa abandonada, que além de sinistros prêmios de caça (cabeças de animais na parede) descobre da pior maneira que há uma pessoa morta há muito tempo nas escadarias do local...e pouco depois aparece Ben, que também fugia dos mortos vivos.
 
Nosso herói (vivido pelo ator Duane Jones) era totalmente diferente dos esteriótipos de afro-americanos apresentados no cinema em anos anteriores. Se antes o negro era visto em papéis de servidão, sendo humilhado ou atuando como coadjuvante, neste filme Ben quebrava todos os paradigmas e COMANDAVA a ação, sendo um dos persoangem mais racionais em tela. Ao entrar na casa, a primeira preocupação de Ben foi em selar o local, gerir suprimentos e criar um plano de fuga, algo que em tempos de The Walking Dead (que tem um personagem chamado Duane Jones, homenagem óbvia à esse filme) é corriqueiro, mas que na década de 60 foi pioneiro, pois todo modus operandi do "apocalipse zumbi" foi criado por Romero neste filme e na sequência. É sábido que antes de A Noite Dos Mortos Vivos já existiam filmes sobre zumbis, porem voltados para origem místicas ou baseadasem religões desconhecidas, como por exemplos algumas lendas haitianas. Outro aspecto interessante visto no filme, e que hoje pode ser visto em outras obrasdo gênero, é que apesar de toda loucura envolvendo mortos voltando à vida para comer miolos, o mais importante de tudo sempre são as relações sociais. Enquanto Ben pensa em como sobreviver mesmo que lutando, tem que lidar com outros individuos com ideias contrárias, em cima do muro, ou apenas avatares de histeria, mostrando que o ambiente virá um microcosmo do que é o mundo comum. Isso fica claríssimo no final da película, que é uma das coisas mais cabulosas vistas, não contarei o que acontece mas é cruel como cada trecho do climax até os créditos finais refletemos motivos de toda luta por direitos que os EUA viviam naquela época.

Para quem não gosta de filmes de terror ou apenas não tem o mínimo de interesse em zumbis, ainda assim recomendo o filme por questões técnicas e certas qualidades que só as produções mais antigas possuiam. Para começar, foi uma produção baratíssima para os padrões da época, pouco mais de 100.000 doláres saido dos bolsos dos idealizadores que tiveram que se virar pra fazer isso pagar a conta de locação, atores, equipamento e efeitos especiais. Como dito por um dos produtores: "Nós sabíamos que não conseguiríamos levantar dinheiro suficiente para filmarmos um filme em igualdade com os filmes clássicos de terror com os quais nós havíamos crescido. O melhor que podíamos fazer era colocar nosso elenco em um local remoto e então levar o terror para visitá-los naquele local". É por isso que 80% do filme é dentro ou no "quintal" da casa, algoque poderia soar chato mas o diretor consegue criar conflitos tão interessantes com o grupo, que as vezes fica claro que aqueles indíviduos talvez se matem antes dos mortos vivos conseguirem derrubar as barreiras.
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Outro charme da película é que foi feita antes do gore ser o mote para os filmes de terror, aqui você se assustará pela bizarrice das situações em tela, combinada com trilhas contundentes que conduzem o medo para o espectador. Não é asco por ver visceras e carne humana na boca de outros seres humanos, esim a sensação de medo extremo de estar na pele dos protagonistas.

Atualmente o filme está em domínio público, você pode ver de graça pela web (ou essa versão dublada abaixo) sem preocupações. Ele possui quatro continuações diretas feitas pelo mesmo diretor, cada uma evoluindo as discussões sociais de sua época, e um remake feito em 1990 pelo diretor Tom Savini.

Título: Night Of The Living Dead

Ano: 1968

Direção: George A. Romero

Elenco: Duane Jones, Judit O'Dea, Karl Hardman

Duração: 96 minutos



17/08/2016
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.