O Pantera no filme Guerra Civil (Review)

O Pantera no filme Guerra Civil (Review)

Esta resenha se destina a falar do Pantera Negra no filme Capitão América: Guerra Civil. Foi a estreia do personagem no Universo Cinematográfico da Marvel Studios, e diversos sites e resenhas são quase unânimes em afirmar que não apenas foi a melhor estreia de um personagem como também foi a melhor figura de todo filme. Será que foi tudo isso mesmo? É o que vamos conferir agora.
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O filme Capitão América: Guerra Civil começa de verdade quando o príncipe T’Challa aparece pela primeira vez em cena. Nativo da nação mais avançada tecnologicamente do mundo, Wakanda, T’Challa acompanhava o pai, o T’Chaka, na conferência da ONU em Viena, para ratificar os Acordos de Sokovia - os quais objetivam tornar os Vingadores uma força-tarefa sob supervisão direta da ONU, após tantas vítimas de danos colaterais causados pelo grupo de super-heróis. Logo no início, Chadwick Boseman impacta com a força da sua presença e seu carisma, nos apresentando um T’Challa absolutamente crível e humano. A conversa com o pai T’Chaka, interpretado pelo ator John Kani, é bastante tocante, especialmente quando todos já imaginamos o que está prestes a acontecer.

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A conferência prossegue, com o Rei T’Chaka realizando o seu discurso sobre maior integração de Wakanda com o resto do mundo, até que o pior acontece: um atentado a bomba. T’Challa percebe a movimentação estranha lá fora, solta o alerta e pula mais rápido que um raio para tentar salvar o pai, que está em pé no palanque; no entanto, não foi rápido o suficiente. Conforme esperado, o Rei T’Chaka morre - nos quadrinhos, ele é assassinado por Ulysses Klawe, que já apareceu no fime Vingadores: a Era do Ultron; e conforme o esperado, a morte do pai, aparentemente causada pelo Soldado Invernal, torna-se a motivação de T’Challa neste filme da Guerra Civil.

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“Não me incomode, senhora Romanov. Eu vou matá-lo com as minhas próprias mãos.”

T’Challa, agora Rei de Wakanda e o novo Pantera Negra, sai à caça de Bucky Barnes, o Soldado Invernal. Rastreia sua presa até sua residência, e então faz sua entrada triunfal no traje de Pantera numa laje ensolarada. As cenas de luta e de perseguição ficaram muito boas, T’Challa lutando não para nocautear, mas para rasgar e estraçalhar seu oponente, movido pela sede de vingança - as garras de Vibranium não são brincadeira. O Pantera Negra dá um chega pra lá em Steve Rogers, o Capitão América, e no Falcão de Anthony Mackie, focado única e exclusivamente em Barnes. Mesmo quando o T’Challa tomava golpes, sempre caía em pé, já pronto pra próxima investida. Nesta cena, e nas outras que vieram, ficou nítido para mim que ele é o lutador definitivo do MCU.


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“Eu fico pensando, Capitão, por quanto tempo você conseguirá manter o seu amigo a salvo de mim.”

 

No fim, acabam todos interrompidos pela polícia, e vão parar no Joint Counter Terrorist Centre, em Berlim. Barnes é encarcerado, e em seguida recebe a visita de um falso psicólogo - o verdadeiro vilão do jogo, Helmut Zemo. Zemo ativa a antiga programção de lavagem cerebral de Barnes, que se torna violento e vai detonando tudo pelo caminho… e o único que não foi espancado por ele foi T’Challa, que o enfrentou sem traje nem nada, e se mostrou páreo duro uma vez mais. Mas mesmo assim Barnes conseguiu escapar com a ajuda do Capitão e do Falcão.


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“Saia do caminho, ou será removida.”

Com essa única fala, a única Dora Milaje a aparecer no filme se tornou a personagem feminina mais sensacional de todo o filme.

A Viúva Negra acaba convencendo T’Challa uma aliança bem frágil com Tony Stark, mas o Rei quer apenas a cabeça de Barnes e nada mais. Os dois times de Vingadores acabam se encontrando, e então ocorre a grande cena do filme: a batalha no aeroporto. T’Challa obviamente confronta Barnes, seu objetivo desde o início, mas este recebe cobertura de Steve Rogers, e T’Challa o confronta sem titubear. Foi bem legal ver as garras de Vibranium do Pantera rasgando o escudo do Capitão América, e essas marcas das garras persistiram até o fim do filme. No meio da bagunça, o Pantera Negra acabou enfrentando outros heróis, tais como o Homem Formiga e o Gavião Arqueiro, mas ele só queria saber de matar Barnes.


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“Ainda não fomos apresentados! Sou Clint…”

“Não dou a mínima.”

Com o mínimo de palavras, o Pantera Negra se tornou o rei dos diálogos.

A batalha termina quando Rogers e Barnes escapam, com a ajuda da Viúva Negra, que dispara contra o Pantera para retardá-lo; sua sede de vingança era tanta que ele insistiu até o último minuto, e por pouco não se agarra no jato que sua presa usou para fugir.

Os heróis do lado de Rogers são presos, e recebem a visita de Tony Stark. Stark percebe que toda aquela confusão na verdade foi orquestrada por Zemo; com as coordenadas dadas pelo Falcão, o Homem de Ferro vai até a base secreta da Hydra, onde estão Rogers e Barnes - sem perceber que está sendo seguido por T’Challa, sempre focado no seu objetivo de matar o Soldado Invernal.


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No entanto, ouvindo a conversa entre Stark, Rogers, Barnes e Zemo, T’Challa descobre que foi tudo um plano deste último, e que é ele o verdadeiro responsável pela morte de seu pai.

Enquanto Stark tenta matar Barnes quando descobre que este matou seus pais, T’Challa rastreia Zemo e o confronta. O Pantera Negra ouve a história e as motivações vingativas de Zemo, que chega a se desculpar por ter matado T’Chaka. T’Challa então se dá conta de o quanto a consumiu esse homem, o quanto a vingança está consumindo Stark, o quanto a vingança vem consumindo ele mesmo. E é nesse momento em que o Pantera Negra retrai as suas garras e decide não matar Zemo, para encerrar o ciclo de vingança e ódio, e ainda impede o vilão de cometer suicídio, entregando-o para justiça, para pagar por seus crimes. Foi uma conclusão inesperada, considerando que T’Challa mata o assassino de seu pai nos quadrinhos, mas foi de certa forma uma redenção para o personagem, que cresceu ainda mais com a experiência.


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Dessa forma, considerando como foi apresentado, é mais que certo dizer que o Pantera Negra não apenas foi apresentado ao público, como também teve a sua história de origem apresentada, com início, meio e fim, praticamente uma jornada do herói, com redenção no fim e tudo mais. É certo dizer que foi um filme do Pantera Negra inserido dentro deste filme da Guerra Civil.


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“Deixe que venham…”

Como cena bônus, T’Challa acaba ajudando Rogers e Barnes, congelando este numa cápsula criogênica, até que uma cura para a sua programação de lavagem cerebral seja encontrada. E somos apresentados brevemente para Wakanda, em cena gravada nas Fozes do Iguaçu - o relance da estátua do Deus Pantera deu um arrepio! Mas pena que é só em 2018…

A interpretação de Chadwick Boseman foi realmente espetacular. Direto ao ponto, centrado, forte, agressivo, estoico, nobre, heroico. O cara nasceu pra fazer esse personagem, nos mostrou tudo que esperávamos do T’Challa e tudo o que torna o personagem tão querido e respeitado nos quadrinhos. Boseman roubou a cena sempre que aparecia na tela, com certeza foi sim o melhor personagem do filme!


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E o seu filme solo? Ah… Nas mãos do diretor Ryan Coogler, e com um poderoso elenco que conta com John Boyega e Lupita Nyong’o, o filme do Pantera Negra promete, e muito!!


17/08/2016
Fábio Kabral

Fábio Kabral

Redator

Escritor caótico e menino do rio que vai conquistar o mundo com uma flecha só.