MUNDO CÃO (REVIEW)

MUNDO CÃO (REVIEW)

Entrei nesse filme completamente equivocado. Não sei se pelo trailer ou pelos pôsteres, esperava algo bem diferente de Mundo Cão, longa protagonizado por Babu Santana e Lázaro Ramos, em papéis antagônicos bem inusitados. Ou melhor, papéis bem originais num drama com ambientação muito foda. Santana é um cidadão de bem que leva uma vida tranquila, dois filhos, esposa, toca bateria em sua igreja e tem um trabalho honesto no Centro de Zoonoses de São Paulo, em 2006. Nesse período, existia uma lei que ordenava que animais capturados

caso não fossem retirados em até 3 dias, deviam ser sacrificados, mesmo se sadios. A trama que começa morna sobe agressivamente quando um dos animais sacrificados é o dobermann de Nenê (Lázaro Ramos), bandido fanático por cachorros... e pelo Palmeiras.

 

Na primeira metade da obra o vilão sequestra um dos filhos de Santana, o que desestrutura totalmente sua

família com consequências pesadas para a esposa.


Se comecei o filme esperando ver a atuação fodástica do Lázaro, a surpresa foi ver Babu Santana (de Tim Maia) em tela, agindo como pai preocupado e depois como heróis vingativo meio em dúvida do que fazer, se entregar ao ódio ou seguir seus princípios? E o cara passou essa inconstância muito bem em suas expressões e trejeitos, coisa que o diretor Marcos Jorge casou muito bem cortes modernos e trilha sonora misturando jazz e samba rock, que fazia a

ponte entre um drama policial clássico com uma situação urbana totalmente bizarra. Pra terem uma ideia no meio do filme Nenê se apega ao filho de Santana pelo garoto também ser palmeirense, até o tira do cativeiro para levar ao estádio e o devolve para a família sem danos, embora outro estrago (não darei spoiler) já tivesse sido feito.

 

A trama evolui para um clima cada vez mais tenso, porém com um certo tom trágicomico. Nessa parte destaco a atuação da estreante (em cinema) Thainá Duarte, que como filha de Santana entrega um papel de surda/muda de forma bem convincente, tanto que como não sou fã de novelas globais, só descobri depois que a menina falava! Apesar de sua participação na trama demorar para ter importância, a personagem ser como é faz todo sentido na cena final. Apesar do climax ficar óbvio pelo andar da carruagem que se seguia, a forma como tudo se desenvolve entre atuações dos três citados é surpreendentemente legal.



17/08/2016
Rodrigo Cândido

Rodrigo Cândido

Redator

Pai do Jorge, bebedor de cerveja, ilustrador e amante de quadrinhos.