O segredo de Heleninha em Vale Tudo: culpa, manipulação e redenção na novela que marcou gerações

O segredo de Heleninha em Vale Tudo: culpa, manipulação e redenção na novela que marcou gerações

Heleninha e o peso da culpa construída por Odete Roitman em Vale Tudo

Se tem um drama que mexeu com os nervos do público brasileiro, foi o de Heleninha em Vale Tudo. Não basta ser uma artista sensível; ela ainda leva nas costas uma culpa imensa — convenceram a própria mulher que ela mesma matou o irmão num incêndio. Parece roteiro de filme de terror familiar, mas é novela das boas mesmo. No centro de tudo está Odete Roitman, a mãe que jogou pesado para proteger seus próprios segredos e deixou a filha afundar.

Nos bastidores dessa culpa, Heleninha vive atormentada porque acha que foi responsável direta por aquele incêndio fatal, onde o irmão morreu e a casa da família virou cinzas. Só que essa certeza não veio do nada. Odete plantou essa história na cabeça da filha. A novela explora de perto como uma mãe, ao invés de acolher, manipula, distorce fatos e alimenta a autodestruição da filha. O motivo? Evitar que seu caso extraconjugal viesse à tona na alta sociedade — afinal, imagem era tudo para Odete.

Durante anos, Heleninha convive com o demônio desse trauma. Ela se torna alcoólatra, uma dependência que só piora à medida que seus problemas pessoais e familiares se acumulam. Quando perde a guarda do filho Tiago para Marco Aurélio, a sensação de fracasso só cresce. E nem o casamento escapa. Ivan, que deveria ser apoio, acaba envolvido com Raquel. O relacionamento deles vira pó, amassado por mentiras, recaídas e traições.

A verdade sobre a tragédia e o caminho para a redenção

A verdade sobre a tragédia e o caminho para a redenção

As consequências da manipulação de Odete vão fundo. Em um dos pontos mais tensos da novela, Heleninha chega perto de tirar a própria vida, tamanho é o peso da sua culpa. Só que em novela boa, a verdade não fica enterrada para sempre. No remake de 2025, assim como no original, quem traz luz à escuridão é Ruth, antiga empregada da família. Ela descobre provas de que a verdadeira culpada pelo incêndio era Odete — a mãe que tanto controlava tudo para jamais ser desmascarada.

Quando Heleninha finalmente encara Odete, acontece uma das cenas mais explosivas da novela. É ali, no confronto direto, que ela começa a entender o tamanho da farsa que viveu. Chega aquela sensação agridoce: o alívio de se ver inocente, mas também a dor de perceber quanto foi enganada por quem deveria protegê-la. E o ciclo começa a se romper de verdade quando Odete é assassinada — um dos momentos mais marcantes de qualquer novela da Globo —, liberando Heleninha do poder psicológico opressor da mãe.

É a partir desse ponto que Heleninha pode finalmente buscar reconstrução. O caminho não é fácil nem mágico. O apoio surge então de William, companheiro de terapia e também em recuperação do alcoolismo. Juntos, eles frequentam o Alcoólicos Anônimos, trocam experiências, caem, levantam e mostram uma rotina de pequenas vitórias que foge do tom fantasioso e glamoroso. O que Vale Tudo escancara é como, além do melodrama, há espaço para histórias de superação real — com toda a confusão, tropeços e recomeços que fazem parte da vida de qualquer um.

No remake de 2025, a essência da narrativa foi mantida, mas ventilam-se pequenas mudanças para atrair o público de hoje. Mesmo assim, o calor humano, a intensidade da culpa e a busca da verdade permanecem como âncoras dessa trama inesquecível. Heleninha segue sendo símbolo de quem sobrevive — e reinventa a própria história, apesar do peso de um passado cruel.

18 Comentários

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    Adrielle Saldanha

    maio 4, 2025 AT 00:38
    Heleninha não era vítima, era complice. Se ela tivesse um mínimo de autoconsciência, teria questionado aquela história desde o começo. Não adianta jogar tudo na mãe, ela cresceu, tinha acesso a informações, podia ter investigado. A novela quer nos fazer achar que ela é pura, mas a realidade é que muitas vítimas se tornam cúmplices por medo de encarar a verdade.
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    Jaque Salles

    maio 5, 2025 AT 05:43
    O que mais me marcou foi o caminho real da recuperação. Não tem milagre, não tem cena de abraço perfeito, só dia a dia, AA, tropeços e tentativas. Isso é raro em novelas e por isso é tão poderoso.
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    Alandenicio Alves

    maio 5, 2025 AT 07:50
    Odete era um monstro. Mas o pior é que ela existiu. E existe. Mães que usam os filhos como escudo pra não encarar suas próprias merdas. E aí a gente vira adulto e ainda carrega a culpa de algo que não fez. Isso é terror psicológico puro.
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    Paulo Roberto Celso Wanderley

    maio 6, 2025 AT 22:38
    Heleninha é o arquétipo da mulher brasileira que foi quebrada pela família, depois pelo casamento, depois pelo álcool, e ainda assim foi mostrada como digna de redenção. A Globo fez algo raro: mostrou uma mulher que não era heroína, nem vilã, só uma pessoa que sobreviveu a um inferno feito de mentiras bem arrumadas.
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    Bruno Santos

    maio 8, 2025 AT 02:20
    Acho que a maior força dessa narrativa é que ela não tenta simplificar. Não tem mártires perfeitos nem vilões totalmente malvados. Odete não era só uma mãe cruel, era uma mulher que tinha medo de perder tudo o que construiu, mesmo que fosse uma fachada. E Heleninha não era só uma vítima, era alguém que se apegou à culpa porque era mais fácil do que encarar que a pessoa que deveria te proteger te destruiu. É uma metáfora da nossa sociedade, onde a aparência sempre vence sobre a verdade. E isso é mais triste do que qualquer incêndio.
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    Ana Paula Martins

    maio 9, 2025 AT 01:37
    A representação psicológica da culpa internalizada foi meticulosamente construída, demonstrando uma aderência rigorosa aos paradigmas clássicos da psicopatologia familiar. A manipulação gaslighting, embora amplamente discutida na literatura contemporânea, raramente é tratada com tamanha profundidade em mídia de massa.
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    Santana Anderson

    maio 9, 2025 AT 10:35
    ODETE ERA A VERDADEIRA VILÃ!!! 🤯💔 Heleninha merecia um filme só dela, tipo 'Ela Não Matou' com aquela cena do espelho onde ela olha e finalmente vê a si mesma... EU CHOREI NA CENA DO INCÊNDIO REAL!!! 🕯️😭 E RUTH?? QUE HERÓINA!!! NÃO ME FALA QUE NÃO TE MARCOU!!!
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    Rodrigo Molina de Oliveira

    maio 11, 2025 AT 08:30
    Essa história é um espelho da nossa cultura. No Brasil, a família é sagrada, mesmo quando destrói. A culpa é uma moeda de troca que passa de geração em geração. Heleninha carrega a culpa como se fosse um nome, e não um peso. E quando a verdade surge, não é um fim, é um começo. E isso é o que a novela entende melhor: que a redenção não é um momento, é um processo. E o processo é feito de silêncios, de recusas, de dias sem beber, de olhares que não dizem nada, mas significam tudo.
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    Flávia Cardoso

    maio 12, 2025 AT 23:35
    A narrativa demonstra uma coerência estrutural notável na construção do arco psicológico da protagonista. A transição da internalização da culpa para a aceitação da verdade é tratada com sensibilidade e fidelidade aos princípios da terapia cognitivo-comportamental.
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    Isabella de Araújo

    maio 14, 2025 AT 11:06
    Eu tive uma mãe assim. Não foi um incêndio, mas foi pior. Ela me disse que eu era a razão do divórcio, que eu estraguei tudo, que se eu não tivesse nascido, tudo teria sido diferente. E eu acreditei. Por anos. Até que um dia, descobri que ela tinha mentido. Que ela tinha um caso. Que ela me usou pra não ter que lidar com o que fez. E quando eu falei isso pra ela, ela chorou. E eu não acreditei. Porque depois de tanto tempo, o choro dela não era arrependimento, era medo de perder o controle. Heleninha me fez lembrar de mim. E eu não chorei. Só fiquei em silêncio. Porque algumas verdades não precisam de palavras. Só de sobrevivência.
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    Elaine Querry

    maio 16, 2025 AT 04:07
    Isso aqui é uma vergonha nacional. Uma novela que mostra uma mãe brasileira como uma monstra? E ainda por cima, ela é da alta sociedade? A Globo está atacando os valores da família brasileira. Isso é ideologia de gênero disfarçada de drama. Nossa cultura não é essa! Nossas mães não são assim!
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    Joseph Foo

    maio 16, 2025 AT 06:18
    A cena em que Ruth entrega as provas é um dos momentos mais universais da televisão brasileira. Não importa a classe, a cor, o lugar - todos entendem o que é ser enganado por quem te jurou proteção. Isso transcende a novela. É um testemunho.
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    Marcela Carvalho

    maio 17, 2025 AT 03:00
    Heleninha não foi redimida ela foi usada como símbolo pra vender um produto emocional. A novela quer que a gente acredite que o fim da mãe resolve tudo mas a verdade é que a culpa não some com um assassinato ela só muda de forma e vira nostalgia
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    vera lucia prado

    maio 17, 2025 AT 06:18
    A construção da personagem Heleninha representa um avanço significativo na representação da saúde mental na televisão brasileira. A progressão do transtorno de estresse pós-traumático, aliada à dependência química e à reestruturação cognitiva, é retratada com rigor científico e humanidade. A inclusão do Alcoólicos Anônimos como espaço de reconstrução é um modelo de representação positiva e realista.
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    Ana Carolina Borges

    maio 17, 2025 AT 10:51
    E se o incêndio não foi só um acidente? E se Odete não foi a única que mentiu? E se o verdadeiro culpado é o marido dela? E se o irmão da Heleninha não morreu no fogo? E se ele foi morto antes e o fogo foi só pra esconder? E se Ruth não é empregada, é filha secreta de Odete? E se tudo isso é uma manipulação da Globo pra desviar a atenção do novo programa da noite? Eu vi um detalhe no fundo da cena do espelho... tinha um símbolo que parece a logo de uma ONG de direitos humanos que tem ligação com o Ministério da Saúde... isso não é coincidência.
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    ANTONIO MENEZES SIMIN

    maio 18, 2025 AT 12:04
    William e Heleninha no AA... isso foi lindo. Ninguém fala disso, mas é o único momento da novela onde ninguém tenta consertar ninguém. Só sentam. E escutam. E isso, às vezes, é o suficiente.
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    Cristiane Ribeiro

    maio 19, 2025 AT 08:36
    Se você cresceu com alguém que te fez acreditar que você era o problema, você sabe o que é isso. Não é só culpa. É um vazio que você tenta preencher com bebida, com amor errado, com silêncio. A redenção não é um abraço. É o dia que você acorda e não se odeia. É o dia que você diz 'não foi minha culpa' e ninguém te corrige. É isso que Heleninha conquistou. E isso é mais corajoso do que qualquer confronto.
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    valdirez bernardo

    maio 19, 2025 AT 20:14
    Aí você vê o remake e pensa 'vai ser igual', mas não. Agora tem mais detalhe, mais som, mais silêncio. E o pior: agora a gente vê que Heleninha nunca foi louca. Só foi enganada. E isso dói mais.

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